sábado, 27 de fevereiro de 2010

                     Pastiera di Grano  
           
Esta receita lembro da minha infância.. Sou de uma família de imigrantes italiano como já disse, é conhecida por algumas pessoas de São Paulo, principalmente do bairro da Móoca, talvez já tenham ouvido falar da família Di Cunto, Buffet Di Cunto;bom vamos voltar ao passado.
            Vivi minha infância dentro de padaria, no período da Páscoa como é tradição nas famílias italianas, fazem essa receita de PASTIERA DI GRANO.
            Quando chegava as sexta-feiras santa, meu nonno não abria a padaria, era pecado trabalhar nesse dia, muitas coisas não se podiam fazer, como, assistir TV, cortar cabelo , barba, pintar a unha, falar palavrões.
Então meu nonno e nonna reunia meus , tias, primos, primas , meu pai, minha mãe ,minha irmã, aproveitava que os padeiros estavam de folga e íamos para o local onde se fazia pão, para prepara a massa das tortas,  que não eram poucas, isso começava de manhã cedo e ia  quase  até  o final da tarde.
            Eu tinha 06 anos meus primos por aí também, ajudávamos com a massa, minhas tias faziam  o recheio, e o nonno ou tios colocavam no forno pra assar.
           Quando era o domingo de Páscoa reuníamos todos para almoçar, a padaria fechava todos os domingos para  o almoço e abria as 14hs. No almoço éramos 30 mais ou menos, em volta da mesa, numa ponta ficava o nonno, na outra a nonna, pedíamos bênção, e ganhávamos dinheiro, do nonno e dos tios. Ah não podemos esquecer do padre, sempre vinha almoçar, claro. Quando alguém ia embora tio, tia, a nonna dava uma torta dessa, ou mesmo amigos que vinham comprimentar, isso foi até meus 20 anos quando a nonna faleceu, desde então  não reuníamos mais, meu nonno morreu eu tinha 10 anos, a cabeceira da mesa onde ele sentava ficou vazia por algum tempo, depois meu pai assumiu, quando minha nonna faleceu não tivemos mais reuniões pois os primos foram casando, cada um tinha sua vida, eu cheguei a reunir meus primos num almoço italiano que foi na minha casa, estávamos em 30 também contando  com os sobrinhos, essa é uma outra história que fica pra depois . É essa a história dessa torta a receita veio de Nápoles, mais precisamente de São Marco de Castelabatti, da onde começa a história da minha família .
           Agora chega de conversa e mãos na massa.


                                                 


Ingredientes:

Massa:

 1 ½ xícara de Maizena peneirada
1 ½ xícara de farinha de trigo
1 xícara de açúcar; uma pitada de sal
1 colher (chá) de casca de laranja ralada
6 colheres (sopa) de leite frio
2 gemas
2/3 de xícara de margarina.

Recheio:

 ¾ de xícara de grãos de trigo, cobertos com água morna e 1 pitada de sal
5 colheres (sopa) de açúcar
½ litro de leite fervendo
½ quilo de ricota peneirada
4 gemas
½ xícara de passas
1 colher (chá) de casca de laranja
1 colher (chá) de canela em pó
1 xícara de frutas cristalizadas picadinhas (laranja, figo, etc...)

Creme:

1 xícara de leite,
1 colher (sopa) de amido de milho
2 gemas,
2 colheres (sopa) de açúcar,
 1 pitada de sal,
1 colher (sopa) de manteiga,
 4 claras batidas em neve firme
baunilha a gosto.

Modo de Fazer:

Massa:

Junte os ingredientes com as pontas dos dedos até formar uma bola. Cubra com um pano e deixe descansar.

Recheio:

Depois de uma hora, junte mais um pouco de água ao trigo e cozinhe em fogo brando, até ficar macio. Escorra, acrescente o açúcar e o leite. Cozinhe por 15 min. e deixe esfriar. Adicione a ricota e os 5 outros ingredientes. Misture e reserve.

Creme:

Cozinhe mexendo até engrossar os 5 primeiros ingredientes, retire do fogo, adicione a manteiga, baunilha e reserve~

Modo de Montar
Forre uma forma de torta de aro removível com ¾ de massa. Guarneça com o recheio misturado com o creme reservado e por último, delicadamente, as claras em neve firme. Cubra com tiras da massa restante, formando xadrez. Pincele com manteiga derretida, polvilhe com açúcar cristal e leve em forno moderado, durante mais ou menos ½ hora. Sirva com chantilly.

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